Sarcopenia
  • 19/02/2020
Sarcopenia

A forma como você aperta a mão de alguém pode dizer muito sobre você. Existe até uma data criada para celebrar o aperto de mãos, que é o dia 21 de junho, como forma de estimular a cordialidade e amizade entre as pessoas (tem data pra tudo nesse mundo). Mas aqui não me refiro à sua personalidade, nem falo de medos ou insegurança. A força com que você aperta a minha mão pode me falar sobre sua real chance de sofrer uma queda nos próximos meses, ou sobre sua chance de ser hospitalizado, sobre sua percepção da qualidade de vida e até mesmo sobre a chance de você morrer em um futuro não muito distante.Essas são conclusões extraídas do Segundo Consenso Europeu de Sarcopenia, publicado em janeiro de 2019. Sarcopenia vem de perda de carne, de massa muscular. Hoje é considerada uma doença do músculo! Sua falência. O que esta revisão constatou é que ocorre primeiramente, com o processo de envelhecimento, perda de força muscular antes da perda de massa muscular. E isso é muito importante! No consultório utilizamos um dinamômetro manual para medir a força dos membros superiores e outros testes para medir a das pernas. Diferentes estudos demonstraram que o pico de força e massa muscular ocorre por volta dos 25 anos de idade, se mantendo estável até por volta dos 50, quando começa a degringolar. A partir daí, ocorre perda de massa muscular por volta de 1 a 2 % ao ano, enquanto a de força vai de  1,5 e a 5 %. Nesse processo, participam genética e estilo de vida.  O antídoto? Dieta adequada, com ênfase em proteínas e exercícios físicos. De preferência, musculação!           E você, colocou em suas resoluções de ano novo começar a fazer musculação 3 vezes por semana este ano? Não? Então volte e leia tudo de novo!Um grande abraço !Geriatria – Dr Roberto M. Betitohttp://geriatriafacil.com.br

Leia mais
Essa é sua (des)prescrição!
  • 19/02/2020
Essa é sua (des)prescrição!

A cena é corriqueira nos consultórios dos geriatras: ao ser inquerido à respeito das medicações que utiliza, a paciente tira a sacolinha que trazia dentro da bolsa e, com um sorrisinho maroto, despenca sobre a mesa uma dezena de bulas, pedaços de embalagens e alguns comprimidos soltos das mais variadas medicações. Olha para o médico e diz: só isso, doutor! Para sua surpresa, ao contrário de ter uma síncope, o geriatra a agradece por ter trazido suas medicações. Explica que é muito importante a sua análise criteriosa para que possam ser, quando possível... desprescritas! E ainda lhe pergunta: só isso mesmo? Pois é muito comum que a paciente ou seu acompanhante de lembre de mais algum que, muitas vezes, não era nem considerado remédio, ou pior...do temido faixa preta, que, por ser tomado há muito tempo, foi esquecido de ser citado.Na verdade, a polifarmácia (uso de várias medicações – em geral, mais de cinco), infelizmente, é mais uma regra do que exceção entre os idosos. E uma grande fonte de preocupação do médico, na medida em que existe o risco real de efeitos adversos do uso e das associações dessas medicações. Sabemos que é muito frequente que as pessoas tenham vários médicos as acompanhando. O problema é que, na maioria das vezes, eles não perguntam quais remédios a paciente utiliza e a paciente também não diz. Então eles vão se somando. Muitas vezes, o sintoma que agora está sendo medicado era efeito colateral de outro remédio. Também existem aquelas medicações que estão sendo utilizadas sem um benefício palpável. E aquelas com indicações questionáveis. Também vale lembrar que, com a idade, o organismo muda e as doses devem ser corrigidas. Alguns medicamentos, abolidos. É claro que a retirada das medicações deve seguir uma lógica, um protocolo definido. Eles existem para nos orientar. E também não devemos nos martirizar por ter que tomar remédios. Graças aos céus eles existem. Mas não custa nada levá-los às consultas para serem olhados de perto. Mesmo que, muitas vezes, possam não voltar àquela mesma sacola.Geriatria – Dr Roberto M. Betitohttp://geriatriafacil.com.br

Leia mais
Doença de Alzheimer: Muito Além da memória
  • 02/02/2020
Doença de Alzheimer: Muito Além da memória

A Doença de Alzheimer não é somente uma doença da memória. Apesar da perda gradual de memória ser sua característica principal, as alteração de comportamento são extremamente comuns e igualmente importantes. Além de serem a principal fonte de estresse para os familiares e cuidadores. E também, o principal motivo pelo qual as famílias buscam uma instituição de longa permanência.Podem variar muito entre as pacientes, e suas formas de apresentação ser muito diferentes entre os portadores, ao longo do tempo. Na fase inicial da doença, a apatia, a depressão e a ansiedade são mais comuns. Apesar das duas últimas serem passíveis de melhora com medicações, não dispomos, até o momento, de uma boa opção terapêutica para a apatia. Ela é diferente da depressão, pois o humor não está deprimido, sendo a perda de interesse, de vontade, o que chama mais a atenção. Com o avançar da doença, pode haver melhora (ou resposta ao tratamento) dessas condições, e o surgimento de uma grande variedade de quadros. A perambulação, ou o comportamento de vaguear a esmo. Períodos de agressividade, verbal ou física, principalmente quando o paciente é confrontado, como quando é conduzido a tomar banho. As alucinações, comumente visuais, quando a paciente vê pessoas, animais ou objetos e outras pessoas não. Os delírios, idéias errôneas, irreais e irremovíveis acerca de realidade, como quando a paciente tem a convicção de que está sendo roubada, ou perseguida, ou tem um ciúme anormal do conjugue. O extremamente comum “ fenômeno do entardecer”, quando a paciente fica muito confusa ao final do dia. Entre outras tantas situações. É sempre importante salientar que as alterações de comportamento não são algo contra um familiar ou contra o cuidador, mas sim, manifestações esperadas da doença. É como pedir para uma pessoa com pneumonia não tossir, ou para quem se machucou não ter dor. As manifestações surgirão independentemente da nossa vontade, da vontade da paciente, ou mesmo da sua personalidade prévia, em algum momento. Caberá aos familiares e cuidadores o correto enfrentamento das diferentes situações. E para isso, existe a educação em geriatria ou gerontoeducação. Para os próximos dias, estará disponibilizado no blog um e-book relacionado ao tema, bem prático, para ajudá-los nessa árdua missão.Geriatria – Dr Roberto M. Betitohttp://geriatriafacil.com.br

Leia mais